Ética e Moral

Por: David Belch

Qual o valor mais abalado no Brasil hoje? Talvez seja a elasticidade desse conceito de Ética, anteriormente chamado por Aristóteles e ultimamente de “compliance”. Qual o valor correto? A resposta, segundo Aristóteles (pai fundador da ética), seria cumprir as leis.

Essa ética que surgiu nos debates na Grécia antiga sobre a melhor forma de obter uma vida boa e que valasse a pena, a pequena ética que surgiu nas cortes especialmente de Luís XIV.

São questões históricas fundamentais para nosso objeto de discussão. É importante ressaltar que para falarmos sobre ética é preciso citar alguns pensadores, que por sua vez, foram de suma importância para a construção do pensamento ético e moral. Sócrates (considerados por muitos o pai criado da Moral e conhecido principalmente por suas ironias e interrogativa (maiêutica)) e Aristóteles (que pensava a ética como um pacote completo da vida para a melhor maneira de se conviver, respeitando a ordem cósmica), isso, claro, no pensando grego antigo, no pensamento moderno temos alguns pensadores importantes, como Maquiavel, John Stuart Mill, Jean Jacques Rousseau, Immanuel Kant, entre outros. Haja vista, a ética, diferentemente da moral, que historicamente ganhou uma força no pensamento cristão, isto é, provinha de uma vigilância divina. Sendo assim, uma conduta, no pensamento religioso, só é boa quando você não desobedece ao Pai. (Deus), No pensando filosófico moderno, no entanto, encontramos diferentes discussões sobre isso. Para Maquiavel, você só age bem quando consegue o que quer, indiferente dos meios utilizados, (o que nos estudos chamaremos de pragmatismo consequencialista.), Para Kant, uma ação, só é boa quando provém da intenção de faze-la sem prejudicar o coletivo.

Aristóteles, o maior filosofo do fim da Grécia antiga, racionaliza a Ética a seu filho no livro, Ética a Nicômaco. E uma das ideias descritas pelo próprio filósofo é “virtude ética é adquirida pelo hábito, não nascemos com ela, mas nossa natureza é capaz de adquiri-la e aperfeiçoa-la”, em outras palavras, ética precisa ser ensinada, crianças nascem amorais, assim como as empresas precisam trabalhar e praticar a ética.

Outro fator que podemos observar é a abstenção do “EU” em primeiro lugar, quer dizer, um ato de infração ético é ocasionado por um fator externo, nunca é culpa minha e sim do outro. Por exemplo: “Você está atrasado no trabalho – então, foi o ônibus que atrasou” ou “fiquei preso no transito” vemos fatores externos sendo colocados como escudo, abstendo sua responsabilidade, isto é, se o mesmo saísse 20 minutos antes do horário que costumara sair, talvez evitasse esse tipo de situação.

A ideia aristotélica de que o bem individual se nutre do bem comum e o bem comum deve alimentar o bem individual, é de que as decisões devem eliminar os prazeres exclusivos do indivíduo, sendo assim, esse não deve prejudicar o coletivo. Em outras palavras, quando você, dentro de uma empresa, rouba muito, seja dinheiro, materiais caríssimos, tal ação é uma infração ética que na qual este se beneficia e prejudica a instituição. No entanto, quando se rouba um lápis da empresa, não há discurso, nem punições. Mas para Aristóteles, esse ato também é uma infração ética, logo, quem rouba no pouco, poderá roubar no muito, também. Um outro exemplo que podemos citar, quando entramos em alguma rede social dentro da instituição que trabalhamos, estamos roubando o tempo que a empresa nos paga para podermos atualizarmos nossas redes sociais, deixamos o trabalho de lado para nos beneficiar de entretenimento, que é algo completamente individualista, no entanto, ninguém discute isso como uma infração ética, por ser uma ação muito comum. Segundo Aristóteles, o ser humano é seduzido pela força da infração, e não pela ética. Desta forma há uma tolerância quanto a essa prática (tolerante, do latim “tolerare”, (suportar, aceitar calado).

Hoje não gostamos mais de pessoas boas, pessoas certinhas, pois, as mesmas nos incomodam com seus jeitos “intolerantes”. Somos seduzidos por deslizes éticos, logo, existem aqui uma exclusão dos sistemas de valores.

Cito nesta nossa conversa, John Milton (poeta do séc XVII), que escreveu um de seus maiores poemas sobre o declínio da humanidade, “Paraíso Perdido” a seguinte frase: “é melhor reinar no inferno do que servir no paraíso”, em outras palavras, eu prefiro a liberdade como um infrator do que a subserviência.

Nós hoje confundimos o querer fazer algo com o poder fazer algo. Não existe mais aquele imperativo categórico ético que Kant tanto mencionava. Temos como exemplo a biografia de Steve Jobs, onde o mesmo conta com orgulho a primeira vez que começara a ganhar dinheiro roubando sinal interurbano da AT&T. Assim tantos outros empreendedores que fizeram o mesmo (atuar como infratores) para conseguir o sucesso que possuem.

Ética é uma forma de diálogo, logo sem ela não existe conversa no mundo. Posso citar a Síria, o governo ditatorial do Estado Islâmico, nesses não existe dialogo, apenas guerra, o resultado disso é o fim de uma civilização.

Sartre (filósofo do século XX), escreveu em sua peça: “o inferno é o outro” se questionava os meios de se conviver com o próximo. Este conviver em sociedade é, sem dúvida, ainda um assunto pautado no nosso século, pois é muito difícil conviver com o próximo, mesmo que ainda sim, ele partilhe das mesmas coisas que você.

A junção religiosa da moral com a filosófica da ética para a formação do carácter é para Zygmount Bauman, Aristóteles e Luc Ferry no livro “A vida que vale a pena ser vivida, é a vida ética. Até porque, segundo o pensador francês do século XVI Étienne de La Boétie, os maus não têm amigos e sim cúmplices, os maus se entre-temem, ou em um linguajar mais contemporâneo, os maus temem a delação premiada do outro. Logo concluo que viver eticamente, sem estragar e prejudicar a convivência com meu próximo seja mais fácil.

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